quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Estrela: Iluminando meu primeiro dia

FOTO: Thaís Garcia
  Muitas pessoas chegam aos hospitais e centros de apoio com a intenção de consolar as crianças e os adolescentes portadores do câncer, achando que vão encontrar apenas sofrimento e tristeza. E eu quase caí nessa ideia quando, de repente, alguém salta no sofá, abre um sorriso e diz “Oi, meu nome é Estrela*, tenho quatro anos”. E o amor me invadiu.
Depois de conversar e deixá-la mexer nos jogos do meu celular, pedi que Estrela chamasse sua mãe; eu estava ansiosa para conhecê-la. Preparei tudo para ouvir seu depoimento. Estrela que não gostou muito de termos atrapalhado sua diversão em benefício da gravação da entrevista, mas acabou concordando.
Sentando em meu colo e me abraçando forte:
- É claro que eu gosto dela! – disse Estrela, justificando o abraço repentino.
- Mas você nem perguntou meu nome! – retruquei.
- Como é teu nome?
- Thaís.
- Oi,Thaís! Posso jogar agora?
- Agora não, tia promete que, quando terminar, deixa.
- Tá, então podem conversar! – tomou meu caderno e pôs-se a desenhar.
Em fevereiro, dona F.C.A.S descobriu que a filha estava com câncer. Tudo começou com uma febre prolongada. Durante a primeira consulta, a médica suspeitou que fosse infecção intestinal. Na segunda, Estrela já não tinha mais apetite e seu abdômen havia dilatado 17 cm. “Era claro que havia algo errado! A doutora pediu que ela fizesse uma ultrassonografia. Fomos para Cajazeiras.”, disse F.C.A.S., que mora em São José de Piranhas. Nesse momento veio a notícia, Estrela foi diagnosticada com Tumor de Wilms, um tipo de câncer renal. Imediatamente vieram para João Pessoa em busca de tratamento.
         “Tive que me controlar, ela e a irmã, de 11 anos, estavam presentes. Foi um choque muito grande! Quando viemos para João Pessoa, foi tudo rápido. Na mesma semana, Doutora Andréa Gadelha a atendeu.”, contou F.C.A.S. Desde então, mãe e filha vêm a cada vinte dias, de ônibus.
  Perguntei sobre o cabelo curto de F.C.A.S., imaginando que ela teria cortado em solidariedade à filha, como eu havia visto no filme “Uma Prova de Amor (2009)”. Mas, infelizmente, não foi nada disso. Ela está com câncer de mama, descoberto em novembro de 2012. “Depois que surgiu o problema dela, eu continuei o tratamento, mas me preocupava tanto com ela que, às vezes, deixava o meu problema de lado. Coisa de mãe.”, explicou.
  Em meio a toda essa conversa sobre cuidado de mãe com filha e me ouvindo concordar, Estrela pergunta se eu tenho filhos.
- Não, mulher, eu ainda sou novinha! – respondi, na esperança que fosse uma resposta satisfatória
- Nenhunzinho? – perguntou espantada. – E você tem quantos anos?
- Só vinte e dois.
- Vinte e dois? Eu não acredito que você é novinha!
         A recepção inteira caiu na risada.
“Ela é assim o tempo todo; alegre, brincando...”, disse a mãe, ainda sorrindo, quando perguntei se era sempre assim. “Nunca chorei. Mas mesmo confiando em Deus, teve um momento que eu não me contive: vê-la entrando na sala de cirurgia, em abril”, completou. No pós-operatório, a previsão de sair da UTI era para as 14h, porém às 8h Estrela já estava liberada.
  Foi através da pediatria do Hospital Napoleão Laureano que mãe e filha conheceram a Donos do Amanhã. “No começo do tratamento, a gente ficava na casa de uma tia, agora não tem quem a faça querer voltar pra lá! A ONG é uma família, uma benção”. Aproveitando, perguntei como tem sido o apoio da família, ela disse que todo mundo se preocupou com ambas, mas principalmente com Estrela, pois não é normal ver crianças com esse problema na cidade em que moram. “La em São José de Piranhas fizeram uma campanha, sensibilizados por sermos as duas com câncer. Um gesto bem humano”, declara, com brilho nos olhos.
  “Quando crescer quero ser dentista, estilista e doutora. Terminou? Agora eu posso jogar?”. E é assim que Estrela encerra a entrevista.

*Nomes de crianças e responsáveis serão preservados.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Avisa que eu cheguei!

   Meu nome é Thaís Garcia Santana, tenho 22 anos e sou concluinte do curso de Jornalismo, na Universidade Federal da Paraíba (UFPB). A partir de hoje, começarei uma série de pequenas matérias baseadas no cotidiano da Associação Donos do Amanhã. Estarei com vocês aqui no blog até fevereiro de 2014, narrando histórias de pessoas que lutam, acolhem e que são, acima de tudo, exemplo para a sociedade. Esta iniciativa faz parte do meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), que tem como tema “Donos do Amanhã: Humanização do Tratamento do Câncer Infantojuvenil”. 

As crianças diagnosticadas e em fase de tratamento carecem de cuidados especiais não só na parte hospitalar, mas também afetivamente, focados na atenção e no carinho para/com elas. 
  Diante desta situação, foram criados os centros de apoio às pessoas carentes portadoras de câncer, visando colocar à disposição um local onde alimentação, higiene, medicamentos e outras exigências sejam monitorados e facilmente disponibilizados. Essa atitude faz com que, não só o atendimento seja mais humanizado, mas também permite que a criança seja acompanhada e assegurada de que nada lhe faltará durante o tratamento, aumentado assim suas expectativas de cura e vida.
Os centros de apoio são entidade sem fins lucrativos que atuam em diversos segmentos sociais, com a proposta de auxiliar os indivíduos em suas mais variadas necessidades. Estes centros servem, principalmente, como suporte para aqueles que vivem a margem da sociedade.
Na Paraíba, destaco a Associação Donos do Amanhã, que tem como principal objetivo apoiar, acolher e proporcionar condições de tratamento mais humanizadas a crianças e adolescentes portadores de câncer, abrangendo todo Estado. Tendo em vista estes aspectos, trarei para o cenário social atual a realidade de responsáveis, colaboradores e beneficiados, expondo a importância de se ter um tratamento não só clínico, mas também humanizado e digno.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Ácido fólico na dieta materna reduz risco de câncer infantil



Redução do número de casos de tumores no rim e no cérebro coincidiu com medida que estimulou o nutriente na alimentação de mulheres em idade fértil

Brócolis

Brócolis é um dos alimentos ricos em ácido fólico (Thinkstock)

A inclusão de ácido fólico na alimentação de mulheres em idade fértil pode reduzir a incidência de câncer de rim e de alguns tipos de tumores cerebrais entre crianças. Essa é a conclusão de um estudo feito na Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, e publicado na revista Pediatrics.

De acordo com os autores do trabalho, houve uma redução no número de casos de crianças com esses tipos de câncer desde que o governo americano determinou que certos alimentos fossem fortificados com ácido fólico - uma vitamina do complexo B presente em alimentos como brócolis, tomate, cogumelos e feijão. Essa medida foi tomada em 1998 pelo Food and Drug Administration (FDA), agência do governo americano que regula remédios e alimentos, depois de diversos estudos terem indicado que o consumo do nutriente por grávidas reduz risco de defeitos na formação do feto.

Os pesquisadores se basearam em dados de 1986 a 2008 do Programa de Pesquisa, Epidemiologia e Resultados Finais (SEER, na sigla em inglês), do Instituto Nacional de Câncer dos EUA, e estudaram, desde o nascimento até os quatro anos de idade, as informações de 8.829 crianças que foram diagnosticadas com câncer.

A equipe observou que a taxa de incidência do tipo de câncer de rim mais comum entre crianças aumentou de 1986 a 1997 e diminuiu em seguida, queda que coincidiu com o ano em que a medida do FDA foi colocada em prática. Além disso, o número de casos de um determinado tipo de câncer no cérebro aumentou de 1986 a 1993 e foi reduzido em seguida. De acordo com Kimberly Johnson, uma das autoras do estudo, embora essa mudança não tenha acontecido simultaneamente com a determinação do FDA, em 1998, ela coincidiu com as recomendações do órgão, de 1992, para que mulheres consumissem um mínimo de 400 microgramas de ácido fólico ao dia.

"Nosso estudo é o maior já feito sobre a relação entre ácido fólico e incidência de certos tipos de cânceres infantis", diz Johnson. A pesquisadora observa que esses resultados podem ser um estímulo a outros países que ainda não decidiram se irão exigir fortificação de alimentos com o nutriente.

Brasil — Desde 2004, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tornou obrigatória a inclusão de ácido fólico nas farinhas de trigo e de milho e em seus subprodutos. A justificativa para a medida foi justamente a redução no risco de má formação do feto comprovada por diversos estudos. O Ministério da Saúde recomenda uma ingestão diária de 200 microgramas de ácido fólico ao dia para adultos e de 100 microgramas para crianças de sete a dez anos de idade. No caso das gestantes, a indicação do MInistério é semelhante à do FDA, ou seja, de 400 microgramas por dia. Uma concha de feijão preto, por exemplo, tem 119 microgramas da vitamina. 

Opinião do especialista
Marcelo Reibscheid
Pediatra do Hospital São Luiz, em São Paulo

"Já era sabido que a redução do número de casos de cânceres de rim e de cérebro entre crianças coincidiu com a medida do FDA. No entanto, esse estudo foi feito com um maior número de indivíduos, dando um embasamento maior à relação. Porém, como foi só uma comparação de dados, não é possível afirmar com certeza que a associação a verdadeira, já que, no período da pesquisa, outros fatores em relação aos cuidados com o bebê e à alimentação das pessoas também mudaram.

O ácido fólico é indicado para diminuir riscos de má formação congênita. Recomenda-se que mulheres tomem suplementos da vitamina 90 dias antes de engravidarem e continuem a ingerir o nutriente durante toda a gravidez, especialmente no primeiro trimestre. Isso não quer dizer que as mulheres que não tomarem a vitamina irão ter bebês com má formação, mas sim que o nutriente diminui o risco de isso ocorrer.

Ou seja, como o consumo do ácido fólico já é recomendado - ao menos nos EUA  e no Brasil - e não apresenta nenhum risco à saúde, essa pesquisa não irá causar mudanças na prática clínica, já que a vitamina já é indicada, mesmo que para outros fins."

Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/saude/acido-folico-reduz-risco-de-cancer-infantil-diz-estudo

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Muita fibra contra o câncer




Estudos quentíssimos sugerem que, além de evitar o aparecimento de tumores no intestino, a substância protege a mama, o pâncreas... 

por Thaís Manarini | fotos Alex Silva

À primeira vista, alimentos como goiaba, cebolinha, cenoura, tangerina, soja, arroz integral e aveia não têm nada em comum. Mas, perdoe-nos pelo clichê, as aparências enganam. É que esses itens — e muitos outros — são carregados de fibras, substâncias valiosas. Entre seus feitos estão o estímulo da saciedade, a melhora do funcionamento do intestino e a proteção contra câncer nesse órgão. Agora a ciência acaba de apontar, veja só, que elas também previnem tumores no pâncreas e na mama. No mínimo.

Vem do Colégio Imperial de Londres e da Universidade de Leeds, na Inglaterra, o estudo que associou o consumo de fibras a uma menor incidência de tumores mamários. Para realizá-lo, os pesquisadores esmiuçaram 16 trabalhos sobre o tema. “Notamos que a ingestão diária de 10 gramas de fibras solúveis derruba em 26% o risco de o mal se desenvolver. Ainda não sabemos por que as insolúveis não promoveram o mesmo benefício”, conta Dagfinn Aune, líder do projeto.

Uma das hipóteses levantadas para explicar tal façanha é que as fibras reduziriam o estrogênio que perambula pelo sangue. É que elas prejudicam a ação de uma enzima responsável por quebrar o hormônio para facilitar sua absorção. Assim, boa parte dele vai embora junto com as fezes. Mas há um mistério: “Em pesquisas com cobaias, tanto as fibras solúveis como as insolúveis causaram esse efeito”, pondera a nutricionista oncológica Thais Manfrinato Miola, do Hospital A.C. Camargo, na capital paulista.

Se você está se perguntando por que é importante evitar picos de estrogênio, fique sabendo que ele incita a proliferação das células mamárias, independentemente de serem normais ou cancerosas. “Sabe-se que outros hormônios agem assim, ou seja, estimulam a multiplicação celular. Então, quando eles estão controlados, o risco de desenvolver câncer diminui”, explica Fábio Gomes, nutricionista do Instituto Nacional de Câncer (Inca).

Mais fibras, menos insulina
Só para constar, outro hormônio intimamente relacionado ao câncer de mama é a insulina, responsável por botar a glicose dentro das células. E as fibras dão um jeito nela também. Afinal, retardam o esvaziamento gástrico — em outras palavras, você fica com o estômago cheio por mais tempo —, o que torna a absorção de açúcar mais lenta. Diante disso, não há necessidade de ter um monte de insulina circulando.

E, por falar em barriga bem forrada, está aí outro fator que, indiretamente, é capaz de afastar a ameaça do câncer mamário. É que a obesidade e essa doença caminham lado a lado. Quando a dieta é rica em fibras, fica mais fácil escapar dos ataques à geladeira e, dessa forma, administrar o ponteiro da balança. “Mas, se uma mulher está 40 quilos acima do peso, não adianta só apostar nas fibras. O consumo isolado da substância não contrabalançará todos os outros problemas”, avisa Artur Katz, coordenador do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

Já no Centro de Referência Oncológico de Aviano, na Itália, os cientistas voltaram suas atenções para a relação entre uma dieta campeã em fibras e o aparecimento de câncer no pâncreas. Para explorá-la, eles avaliaram a dieta de 326 pacientes diagnosticados com a doença e 652 indivíduos saudáveis. Foi quando notaram que o consumo da versão solúvel fez despencar em 60% a probabilidade de tumores surgirem no órgão. A insolúvel, por sua vez, diminuiu o perigo em 50%.

Ao que tudo indica, a partir do momento em que tais substâncias passam a controlar a produção e a liberação desenfreada de insulina, evitam não só o boom de células malignas nas mamas como também no pâncreas. “Isso não está 100% comprovado, mas é uma teoria que ganha força”, avalia Paulo Hoff, diretor do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês. “E esse mecanismo provavelmente garante proteção contra vários outros tipos de tumores”, completa Fábio Gomes, do Inca.

Outra explicação plausível para essa blindagem é a capacidade que as fibras têm de aliviar o engarrafamento que muitas vezes atravanca o trânsito intestinal. “Elas não permitem que o organismo tenha tempo de absorver agentes potencialmente cancerígenos. Dessa maneira, os inimigos são rapidamente eliminados”, esclarece a nutricionista Juliana Pereira Lima Gropp, do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp).

Ainda que as evidências deem às fibras o troféu de anticancerígenas, Artur Katz pede cautela ao discutir seus efeitos: “Elas podem ser indicadores de outros comportamentos benéficos, já que as pessoas que capricham no seu consumo geralmente seguem um estilo de vida mais saudável, com dieta balanceada e prática de exercícios físicos”.

Sem contar que as substâncias são encontradas em leguminosas, frutas e hortaliças, alimentos abastecidos de uma variedade de compostos considerados aliados no combate a tumores, como quercetina, betacaroteno e licopeno. Portanto, é necessário avançar nas investigações para confirmar se as benesses alardeadas por todos esses estudos são causadas só pelas fibras.

De qualquer forma, sua ingestão é mais do que incentivada pelos especialistas ouvidos nesta reportagem. Nem tem como ser diferente. Afinal, como ficou claro, elas estão alojadas em alimentos de alto valor nutricional — e apostar neles possivelmente freia a procura por itens pouco saudáveis, como os industrializados cheios de gordura e açúcar.

Uma dica: 25g é o consumo diário de fibras considerado ideal pela 
Organização Mundial da Saúde

Ao mexer no cardápio, não se esqueça de molhar a garganta com bastante água, chás e sucos. “O líquido é esssencial para que as fibras solúveis se transformem em gel e as insolúveis formem fezes macias”, informa a nutricionista Michele Trindade, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), no interior do Paraná. Só não enrole muito para mudar os hábitos. “A dieta deve ser equilibrada desde cedo para que exerça um papel realmente significativo na batalha contra o câncer”, adverte Paulo Hoff.

Aliadas na perda de peso
Decididamente, quem anseia por conquistar uma silhueta mais elegante não pode deixar as fibras de fora do cardápio. Uma refeição lotada delas demora a ser mastigada e também digerida. Como consequência, a sensação de saciedade dura mais tempo e a vontade maluca de comer não aparece tão cedo. “Além disso, ao caprichar em cereais, leguminosas, raízes e frutas, tende a haver uma redução no consumo de gorduras e açúcares”, lembra a nutricionista Paula Riccioppo, da clínica Be Healthy, no Rio de Janeiro. “Essa mudança contribui tanto para a perda quanto para a manutenção do peso ideal.”

Uma sugestão: para aumentar o consumo diário de fibras, 
salada sempre cai bem antes dos pratos principais

Duas versões da substância

- Solúveis
Ao entrar em contato com a água, elas formam uma espécie de gel, que promove saciedade e ajuda a controlar a presença de glicose no sangue, além de domar o colesterol. Nesse grupo, estão a pectina, a goma e a mucilagem, que dão as caras nas leguminosas, nas frutas e no farelo de aveia.

- Insolúveis
Não são nada viscosas e têm como principal função aumentar o bolo fecal e, assim, melhorar o funcionamento do intestino. Representadas pela celulose e pela lignina, são encontradas na camada externa de grãos e cereais, no farelo de trigo, na casca de frutas e na soja.

 Por que elas não são nutrientes?
A explicação é simples: embora façam parte dos alimentos, as fibras são resistentes à digestão e não são absorvidas no intestino delgado. “É durante a própria passagem pelo trato digestório que interferem no aproveitamento de nutrientes e ajudam no combate a doenças”, diz a nutricionista Michele Trindade, da UEL.

O ranking das fibras
1º Soja - 23,9 g em 1 concha média.
2º Grão-de-bico - 17,3 g em 1 concha média.
3º Ervilha - 13,5 g em 1 concha média.
4º Feijão-carioca - 11,9 g em 1 concha média.
5º Cereal à base de trigo - 11,5 g em 1/2 xícara de chá.
 
Elas estão abrigadas em vários alimentos

- 1 concha média de lentilha - 11,1 g.
- 1 goiaba branca - 10,7 g.
- 1 colher (sobremesa) de cebolinha - 6,4 g.
- 1 mexerica - 4,19 g.
- 1 pera - 3,3 g.
- 1 colher (sopa) de semente de linhaça - 3,3 g.
- 1 colher (sopa) de farelo de trigo - 3,1 g.
- 1 colher (sopa) de abacate - 2,83 g.
- 1 maçã argentina - 2,6 g.
- 1 laranja com membrana - 2,6 g.
- 5 folhas de couve-manteiga - 2,35 g.
- 3 colheres (sopa) de batata-doce cozida - 1,98 g.
- 1 escumadeira de arroz integral - 1,62 g.
- 3 colheres (sopa)de beterraba crua - 1,62 g.
- 1 colher (sopa)de farinha de centeio - 1,5 g.
- 3 colheres (sopa)de mandioca - 1,44 g.
- 1 figo fresco - 1,4 g.
- 1 colher (sopa) de flocos de aveia - 1,37 g.
- 1 fatia de pão de fôrma integral - 1,3 g.
- 1 ameixa-preta seca - 1,2 g.
- 3 colheres (sopa) de cenoura ralada - 1,14 g.
- 3 folhas de alface lisa - 1,05 g.
- 1 colher (sopa) de farelo de aveia - 1,02 g.
- 3 colheres (sopa) de brócolis cozidos - 1 g.
- 1 escumadeira de arroz branco - 0,96 g.

Fonte: http://saude.abril.com.br/edicoes/0348/nutricao/muita-fibra-cancer-679735.shtml

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Um novo olhar sobre o câncer

Um dos mais renomados oncologistas do país, Paulo Hoff avisa: a doença deixou de ser uma sentença de morte
por Theo Ruprecht • design Laura Salaberry • foto Silvia Zamboni

Quando a palavra tumor vem à mente, não é incomum associá-la ao medo que os tratamentos contra esse mal despertavam. Não sem motivos. Há cerca de 20 anos, eles eram mais agressivos e sua taxa de sucesso, baixa. A situação atualmente é outra, mas o tabu persiste. É para dar cabo desse temor infundado que Paulo Marcelo Hoff, diretor-geral do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, luta todos os dias. Esse também é um dos objetivos do livro Como Superar o Câncer (Editora Abril), de autoria de Hoff, ao lado de um time de especialistas do hospital. Nesta conversa, o oncologista deixa claro que há cada vez mais saídas para a doença — e que conviver com ela não é mais um pesadelo interminável.

SAÚDE - O que mudou no combate ao câncer de alguns anos para cá?

PAULO HOFF - Felizmente, muita coisa. Décadas atrás, grande parte dos pacientes nem recebia a opção de se tratar. Eles eram mandados de volta para casa. De lá para cá, houve um aumento na expectativa de cura e um grande crescimento na sobrevida dos indivíduos com tumores não curáveis. Talvez um dos maiores avanços tenha sido o desenvolvimento de medicamentos que minimizam os efeitos colaterais. No início dos anos 1990, um paciente tratado com o quimioterápico platina tinha que ficar internado. Esperava-se que ele vomitasse de 20 a 30 vezes por dia e ficasse desidratado. Hoje a pessoa vem até o ambulatório, toma sua platina, um pouco de soro e aí vai embora. O que mudou? As medicações de apoio, que trouxeram um novo panorama e possibilitaram uma abordagem mais agressiva contra o câncer, proporcionando resultados melhores. Tudo isso modificou a percepção que se tem da doença.

O senhor fala do tabu com o câncer…

Eu não sei se na sua, mas na minha família não se falava essa palavra. Tenho uma tia que chamava o câncer de "a coisa" ou "aquela doença".

E o tabu com a palavra sobrevida?

É impossível determinar a expectativa de vida de uma pessoa com câncer, seja ele qual for. O problema é que um grande número de pacientes quer saber quanto vai viver. Então, o médico acaba sendo forçado a fazer estimativas com base em estudos que servem para ver o benefício de um tratamento específico na população em geral. E essa resposta pode não agradar. Mas duas décadas atrás a expectativa de sobrevida para parte dos tumores avançados era inferior a um ano. Hoje é frequente que ela esteja acima dos três — isso nos casos avançados. E lembrando que, do ponto de vista individual, alguns vão ficar vivos até dez anos depois.

É por essa razão que o câncer passou a ser considerado uma doença crônica?

Sim. Mesmo quando não há possibilidade de cura, o indivíduo tende a viver por um longo período. Sempre lembro aos meus pacientes quando eles têm dúvidas se viverão bem com um câncer que, em 1945, o presidente americano Franklin Roosevelt morreu por complicações de pressão alta, hoje algo impensável. Mas é raro conseguir curar a hipertensão. Uma vez diagnosticada com o problema, a pessoa vai se tratar pelo resto da vida. Mesmo assim, ela nem considera ter uma doença, de tão controlada que está. Não chegamos a esse nível com relação ao câncer, mas já avançamos muito. A vida hoje, para quem tem um tumor, é consideravelmente melhor do que antes.

O senhor está otimista com o futuro do combate à doença?

Há muitas novidades surgindo. Existem mais de 800 remédios em fase de pesquisa. Se uma fração deles for efetiva, o número de medicamentos disponíveis terá mais do que dobrado. Uma das coisas que mais esperamos é uma maior individualização do tratamento. O aumento da quantidade de informações e da compreensão sobre o câncer fez crescer o número de alvos das terapias, e isso deve levar a um benefício para os pacientes com as mais diversas particularidades.

As pessoas se confundem com tantas informações sobre o câncer?

Isso é muito comum, principalmente quando uma celebridade tem a doença. Todos querem saber por que o famoso pode se submeter a um procedimento e eles não. O que escapa é que as situações nunca são iguais. Existem centenas, ou talvez milhares, de opções terapêuticas, que dependem de outras centenas de possíveis apresentações do tumor. Por isso o livro Como Superar o Câncer é tão importante. Além de satisfazer a curiosidade, ele embasa o paciente, seus familiares e amigos para uma discussão mais compreensiva com o médico.

Fonte: http://saude.abril.com.br/edicoes/0341/medicina/novo-olhar-sobre-cancer-640601.shtml